Depressão – Antidepressivos e Programação neurolinguística?

Um conhecido meu, alguém com quem me cruzei várias vezes e pelo qual sinto amizade e admiração, escreveu um artigo na revista online aeon, a relatar a sua relação com a depressão e a sua opinião sobre a utilização regular e continuada de antipressivos.

O artigo está bem escrito, e tem dados cientificamente corretos, não fosse ele um cientista conceituado.

Tem também, em simultâneo, uma descrição da vivência do que é estar deprimido, do ruminar constante em pensamentos de culpa e sentimentos de inutilidade. Dos sentimentos de culpa, frustração e vergonha.

Li o artigo e fiquei convencida que o ponto que ele faz é válido.

Conheço intimamente a depressão. Conheço o sentimento de falta de valor próprio que a acompanha. Conheço o sentimento da incapacidade de sair da cama. Conheço o ruminar mental. A negatividade que se estende, com os seus tentáculos negros, para toda a nossa vida. Também conheço, e reconheço, a utilidade dos antidepressivos. Quando não sabemos o que mais fazer, permitem-nos manter uma aparência de normalidade. Permitem-nos re-adquirir a nossa capacidade de funcionar.

No entanto, ao mesmo tempo, que aceitava a ciência no artigo – os antidepressivos funcionam – fui simultâneamente acometida de um sentimento visceral averbal, em que reconheci que algo fundamental me separava da outra posição também defendida, talvez de um modo menos explicito, no artigo – os antidepressivos são a única coisa que funciona.

Como muitas vezes me acontece, senti que algo estava, fundamentalmente incorreto, mas tive dificuldade em encontrar argumentos racionais que validassem esta impressão. Se os antidepressivos funcionam, se as pessoas se sentem melhor, porque não eternizar a sua utilização?

Se os antidepressivos funcionam, se as pessoas se sentem melhor, porque não eternizar a sua utilização?

Assumi diferenças fundamentais de escolhas e de valores entre duas pessoas com uma excelente formação cientifica, questões de preferências pessoais em que não há certo nem errado, e deixei cair o assunto no inconsciente.

Quando um sentimento emocional fica por compreender intelectualmente, o inconsciente fica lá atrás, a ruminar sozinho onde as luzes estão apagadas, demorando o seu tempo. E é uma questão de tempo até reemergir.

Foi preciso outro amigo dizer o mesmo: “Eu escolho o caminho dos ansiolíticos, o caminho dos antidepressivos”, para se fazer luz no meu espírito.

Eu escolho o caminho

No artigo os antidepressivos são equiparados a insulina. É uma comparação muito boa, atendendo a que há um espectro de necessidade de insulina nos diabéticos. Muitos, apenas a utilizam pontualmente.

Subjacente a uma depressão está um auto-julgamento negativo (“Eu não presto”). Subjacente à ansiedade está uma ideação negativa do futuro (“Vai acontecer uma catástrofe”), acompanhada de um auto-julgamento negativo (“Não vou ser capaz de lidar com ele”).

Nós somos o resultado de, pelo menos, 11 biliões de anos de evolução, possívelmente mais. Somos o resultado de gerações e gerações de seres que, contra muitas probabilidades, sobreviveram. Lidámos com tudo o que nos aconteceu até agora. A prova é que estamos a ler estas linhas. Estamos vivos.

Toda a evidência concreta e mensurável diz: “És suficientemente OK”.

Quando nos enganamos, quando cometemos erros, quando fazemos disparates, nós (também) fomos feitos para aprender com esses acontecimentos. Podemos voltar a tentar, agora com mais capacidades, agora com mais competências.

Se toda a evidência concreta indica que somos OK, qual é a razão lógica para aceitar as nossas autovaliações negativas?

Independentemente do nível de funcionalidade atingido com os medicamentos, apenas são úteis até ao momento em que se deixa de necessitar deles.

Em suma, os antidepressivos, e os ansiolíticos, e o brufeno, e a insulina, tem o seu lugar. São uma ferramenta. E que nos permite estar suficientemente bem para procurar ajuda.

Não é porque os medicamentos não funcionam que sou contra a sua utilização continuada.

A depressão é o resultado de uma espécie de auto-mutilação mental. Um auto-infligir de dor provocada por, provocando e associada a sentimentos negativos.

E, é possível resolver essa dor. Onze biliões de anos de aperfeiçoamento e seleção devem ter produzido algo, pelo menos, suficientemente OK. Só temos de encontrar uma forma de acreditar nisso.

Onze biliões de anos de aperfeiçoamento e seleção devem ter produzido algo, pelo menos, suficientemente OK.

Quando funcionamos, da forma que conseguimos, no mundo que nos vai surgindo, é suficiente. Porque isso já é um feito de proporções astronómicas! Onze biliões de anos o atestam.

Quem acredita nisto é imune, em grande medida, à depressão.

O coaching com PNL é composto por um conjunto de tecnicas que permitem, criativamente, re-avaliar as crenças que fomos criando ao longo da vida e que, a certa altura, se tornaram incorretas. No inicio da nossa vida não sabíamos andar, nem falar, e dependiamos completamente dos outros para sobreviver. Ao longo do tempo fomos aprendendo cada vez mais coisas, e hoje, somos adultos. Competentes. Capazes. Falíveis. Imperfeitos. Humanos.

Um coach, utilizando ferramentas da PNL, leva-nos a tomar consciência dos nossos processos mentais, dos seus ganhos secundários, intenções positivas, e a desenvolver estratégias mentais e comportamentais novas, mais adequadas à obtenção dos resultados que desejamos obter.

A visão expressa no artigo publicado na aeon e a visão aqui exposta são como as rã na taça de natas do Jorge Bucay – uma desiste porque não vê a saída, a outra não vê razão para desistir mesmo que a saída seja apenas uma miragem.

Uma desiste porque não vê a saída, a outra não vê a razão para desistir.

Mesmo na diabetes, mesmo com a dependência de insulina, com mudanças estruturais de hábitos alimentares e de praticas de exercicio fisico é possível a “cura”. E se não a “cura total” pelo menos a aquisição da capacidade de viver a vida de um modo cada vez mais pleno.

Nós somos o maior obstáculo à obtenção dos resultados que desejamos obter. Se não acreditarmos que existe uma solução o que é que nos impele a continuar a tentar?

Se não acreditarmos que existe uma solução o que é que nos impele a continuar a tentar?

E foi aqui que descobri a natureza do meu sentimento averbal inconsciente – a ciência do artigo está correta, mas o deixar cair da esperança, aquele sentimento sem razão cuja razão mais forte nos sustenta e que nos impele a continuar a buscar a saída, a depressão, roubou-a. E os antidepressivos não são capazes de a devolver. E nunca serão.

Onde, meu amigo deixaste cair aquele algo que nos impele a continuar a tentar, mesmo quando parece que está tudo perdido e que não há saída?

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Arrisque.